2011/02/04

A festa de aniversário

Confesso que estava nervosa. Muito. Esta festa ia ser da Maria. Ponto final. A primeira festa em que teríamos os amiguinhos da escola dela lá em casa. E os pais deles. Tenho este tempo andado sem saber ao certo o que se passaria na cabeça dos pais. Claro, cruzamo-nos nos corredores, nas festas da escola, mas é sempre de raspão, os contactos são muito superficiais...

Assim, fizemos os convites. Sentámo-nos com a Maria e pintámos, recortámos, colámos.
"Para confirmares a tua presença, contacta com as minhas mamãs:
Nina - 9********
Lu - 9********
"
Ok, para os mais distraídos, a coisa já está preto no branco. Agora quem quer vai, quem não quer, não vai. Entregámos os convites na escola e passado um par de dias, as mamãs e papás dos coleguinhas da Maria começaram a confirmar, perguntar direcções, etc.

Tirámos um dia de férias para fazer tudo na véspera. Levámos dia e meio de roda da cozinha. Bolos, bolinhos, gelatina, pudim, mousse de chocolate, quiches, tortilha, salada de fruta, as belas das sandes de pão de forma. Fizemos o bolo de aniversário da Maria de dois andares: o debaixo de baixo Red Velvet, o de cima de chocolate. Decorámos. Enchemos o tecto de balões. Rosa e branco, maioritariamente, enchidos com hélio, com fitinhas rosa e brancas. 39 balões. Enchemos a casa de gomas, rebuçados de fruta e batatas fritas, como manda a sapatilha. Para nenhum petiz botar defeito. A parafernália exigida pela Maria toda a postos: apitos (linguas-de-sogra), chapéus e ainda umas brincadeiras que arranjámos (não me lembro o nome).



À hora combinada começaram a chegar os convidados. A Maria estava radiante por receber os amiguinhos em casa. O primeiro de todos até flores trazia. Quase que derreti ao ver o puto todo empertigado a subir as escadas e a segurar o ramo. Um após o outro, chegaram todos os que confirmaram. 11 crianças no total, cada um acompanhado pelo menos por um dos pais. O preferido da Maria, bem giro por sinal, vem com uma mais valia: o mano, um bebé de 1 ano que faz as delicias da Maria.

As conversas começaram a fluir, em redor das crianças, das dificuldades em conseguir infantário, das manhas da criançada. As mamãs reúnem-se num canto a falar de gravidez, das artimanhas para tentar conceber uma menina. A educadora da Maria, que também veio mais o seu filhote, começa a mandar-me bocas dizendo que está na hora de dar um mano à Maria (a Maria pede todos os dias um mano, a maior parte das vezes diz que tem um mano, mas que está "lá ao fuuuuuuuundo!). Sorriu Sorrio. Alguém pergunta sobre as inseminações. Respondemos às perguntas.

Os miúdos brincam, o quarto da Maria está de pantanas, mas quero lá saber. Às vezes pegam-se pela posse de um brinquedo, ou pela abertura das prendas (que se quer comunitária, para que haja paz no mundo... pelo menos naquele metro quadrado do mundo). Às tantas a Maria interrompe uma conversa que eu estou a ter com outras mães. Chega ao pé de mim muito aflita: "Mãe, mãe... anda cá VER!" Vou com ela até ao seu quarto. Vira-se para mim e diz: "Olha pa isto!!!" abre os braços mostrando o cenário dantesco do quarto dela e pousa as mãos nas ancas. Não há um sitio onde pousar um pé sem pisar algo. Rio-me e digo-lhe "Não faz mal Maria, depois da festa arrumamos. Agora vai brincar com os teus amigos."

Chega a hora do bolo. Colocamos-o Colocamo-lo numa mesa pequenina. A Maria e os amiguinhos rodeiam a mesa, cantam os parabéns entusiasticamente e alguns até ajudam a soprar as velas. Por onde olho, só vejo sorrisos. Tiro uma fotografia mental do momento. De seguida vamos partir o bolo e a Maria insiste em ajudar a distribuir as fatias. É ela que coloca um garfo em cada prato. As pessoas elogiam o bolo. Há quem nos pergunte onde comprámos. Incho o peito (sim, que eu sou muito vaidosa dos nossos dotes) e digo que fizemos tudo. Que tudo o que ali está, fizemos nós.

A festa começou às 15h. Passadas 3 horas ainda ninguém deu sinal de se querer ir embora. Os adultos começaram a abrir alguns balões, aspirar o hélio e a falar como se fossemos fossem um dos chipmumks. Rimo-nos até às lágrimas. A seguir os putos decidem saltar para cima do puff. Fico por ali a controlar as quedas (e adivinhar umas belas dores de costas para mim, no dia seguinte). Um pai enquanto vê o filho a atirar-se para cima do puff diz-me: "É preciso coragem. Para fazer uma festa para miúdos de 3 anos em casa. Eu não tive coragem. Comprei um bolo e levei para o infantário." Quando os últimos convidados saíram eram por volta das 21h.

Ainda custa a acreditar como foi boa a festa. Lotação esgotada. Cerca de 35 pessoas (ou mais) simultaneamente na nossa casa foi um record tipo quantas pessoas cabem num Twingo. Ter aqueles pais ali, a elogiarem a nossa casa, a nossa comida, até fotografias nossas... sentir a aceitação por parte deles, ver como se divertiram, não foram ali apenas cumprir um frete "agora fico aqui uma hora ou duas e depois vamos embora" foi uma sensação indescritivelmente boa. A alegria, a expectativa, a loucura na cara da Maria fez valer tudo.

Adenda - postar às tantas da madrugada, tem destas coisas: erros. Estão aí em cima, bem marcados. Já me flagelei e vou escrever cada palavra 10 vezes como na primária.

13 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns!!!

Foi fantástica a festa, realmente, a Maria de certo não vai esquecer.
Correu lindamente, tal como voces três mereciam!:D

Fico muito feliz por ter podido assistir a este momento da princesinha, e vosso também!

xi coração!

iOka

Ana disse...

Não fui à festa de aniversário da Maria. Mas ao ler os detalhes da festa, foi como se lá estivesse:
Partilhei através das palavras, uma dia feliz na vida da Maria e da vossa também.
Parabens pela família que são e muitas felicidades, hoje e sempre.
Abraço,
ES :)

Anónimo disse...

Ahhh que linda festa!!!
Os detalhes, as delicadezas, as imagens fotográficas da memória...
Ahhhh que festa linda!!!!!
O carinho e o amor desta familia só poderia tocar todos coraçõzinhos presentes, com certeza!
Sua familia é muito especial.
Como eu gosto de vcs....assim de graça mesmo...rs
Beijinhos nas bochechas.
Mineira
Ahhhh que festa linda!!!!
Que linda festa!!!!

Dantins disse...

Adorei a descrição, cada detalhe, o bolo está lindo, o convívio parece perfeito... acredito que cada criança e pais que partilharam esse momento tenham saido com um sorriso enorme da vossa casa.

Muitos parabéns pela vossa família :D

A Maria é uma sortuda...

(e o mano é para quando? :P)

Cinde e Sissa disse...

Ai que vontade de participar deste momento de vocês. Estou sempre por aqui e sinceramente esperava neste momento feliz poder participar... sonho.
Feliz aniversário para Maria, muita saúde e luz desta vida e do porvir. Bjks. Ce

Muita História para contar... disse...

Nina, vcs são muito talentosa messssmo!!!!!! Que bolo lindo viu e que diversidade de comidinhas. Nossa, como é genial o fato de vcs construírem as coisas tudo junta, até os convites, que coisa simples e emocionante viu. Enfim, fico feliz por tudo ter sido feliz, dá mais fôlego pra continuar sendo feliz né, mesmo com as intempéries da vida. Felicidade pra vcs e muitos desses aniversários para a Maria!

Rita Lisboa disse...

Vocês inspiram-me! Dão-me ânimo para um sonho que eu adorava cumprir que era ter uma familia assim...

Muitos Parabéns para a pequenota e para as mamãs! Parabéns por mostrarem às pessoas que o mundo gay não são só plumas, leather e carros alegóricos, e que temos vidas iguais às das outras pessoas!

(Desculpem se feri susceptibilidades)

Nikkita disse...

Foi óptimo ler o teu post.
É bom ler como tudo correu bem e sentir como a vossa felicidade passa cá para fora...para quem lê. Principalmente pela "normalidade" de como tudo correu,porque todos se divertiram muito e pela aceitação que sentiram. Fico verdadeiramente feliz pelas 3. =)))

Nina disse...

iOka, era mesmo isso que queríamos. que a festa fosse da Maria. resultou bem :)

Ana (ES), obrigada, foi sem dúvida um dia fantástico!

Mineira, foi linda sim, tudo para a minha princesinha!!! Obrigada :)

Dantins, cá por casa somos assim, podemos ter um trabalhão mas gostamos de ter as coisas ao nosso jeito. Resposta: ;)

Cinde e Sissa, ah, mas foi festa para criançada apenas. Adultos só mesmo os pais e os amigos mais chegados (e não foram mais porque realmente não cabia mais em casa). obrigada

Muita História para contar, este dia deu-me fôlego para muita coisa mesmo. E fé. Obrigada! :)

Rita Lisboa, não feriste as minhas susceptibilidades. Mas plumas, leather e carros algóricos não tem problema nenhum. Mas as nossas marchas (pelo menos as que participei) são maioritariamente constituídas por pessoas absolutamente comuns. Mas pessoas comuns não vendem jornais nem sobem audiências, right? Pelo menos parece ser a opinião dos nossos media.

Nikkita, foi fantástico. Obrigada!

Jéssica disse...

Emocionei-me muito.

Nina disse...

Jéssica, :)

Anónimo disse...

Cruzei-me com este blog há anos e de vez em quando venho cá saber como está esta família fantástica. Este post é fenomenal, por tudo. Parabéns e bem hajam.

Eu por cá sofro de outro tipo de preconceito: o que cai sobre as mulheres, mães sozinhas, porque os "respectivos" resolveram zarpar às primeiríssimas semanas de gestação e a sociedade em vez de reconhecer a coragem de avançar sozinha, recrimina, porque "se ele se foi embora por alguma razão foi..."
Ler este post deu-me esperança de ver as coisas mudarem.
Bem hajam,
Alexandra

Nina disse...

Alexandra, claro que mudam! As coisas sempre mudaram a vida toda. Muda é devagar às vezes. Há que seguir vivendo, sempre, sempre de cabeça erguida. :)